Tem uma frase que a minha vó dizia que ficou marcada em mim para sempre:
“Eu não danço em baile de cobra. Quem cria cobra, acaba sendo picado por ela.”
Na época, talvez eu não entendesse a profundidade disso. Hoje, eu entendo, e sinto.
A vida ensina, mas ela não ensina de qualquer jeito. Ela repete… até você aprender.
Existe um ponto muito importante que a maturidade traz: responsabilidade emocional.
O primeiro erro pode até não ser seu. Pode ser ingenuidade, confiança, coração aberto.
Mas o segundo… já é escolha.
Se alguém te fere uma vez, a responsabilidade pode não ser tua.
Mas se essa pessoa tem a chance de fazer de novo, aí existe algo que você permitiu.
E isso não é culpa, é consciência.
E sabe onde entra a parte mais difícil?
Na intuição.
Quantas vezes você já sentiu?
Aquele aperto estranho.
Aquela voz interna dizendo “tem algo errado aqui”…
E mesmo assim você foi. Ficou. Insistiu.
Depois, quando tudo acontece, vem o pensamento:
“Eu já sabia.”
A verdade é que a intuição não grita. Ela sussurra.
E a gente, muitas vezes, escolhe não ouvir.
Hoje eu começo uma nova fase.
E sim… eu amo encerrar ciclos.
Mas isso não significa que não dói.
Dói perceber que, em alguns momentos, eu poderia ter me escolhido antes.
Dói olhar para trás e pensar: “eu fui ingênua”, “eu fui intensa demais”, “eu fui até onde não deveria”.
Mas, ao mesmo tempo, existe algo que ninguém tira de mim:
eu fui verdadeira.
E ser verdadeira, mesmo quando dói, é uma das maiores formas de coragem que existem.
E isso não vale só para um tipo de relação… vale para todas.
Relacionamentos amorosos, e aqui eu digo com leveza, porque no meu caso só saio viúva mesmo (risos), mas ainda assim, até dentro de uma relação sólida, existe limite, existe respeito, existe consciência.
Vale para família.
E esse, talvez, seja um dos mais difíceis de aceitar.
Porque a gente cresce acreditando que laço de sangue é sinônimo de permanência…
Mas não é.
Laço saudável é escolha, é construção, é troca.
Vale para o profissional.
Quantas vezes você já se diminuiu para caber em um lugar?
Quantas vezes silenciou a sua voz para manter uma posição?
E vale, muito, para as amizades.
Porque amizade também precisa ser leve, verdadeira e recíproca.
Eu falo muito isso nos meus atendimentos:
a lei do avião não é só uma regra de segurança… é uma filosofia de vida.
“Coloque primeiro a sua máscara, depois ajude o outro.”
E aí eu te pergunto…
E se o outro não quiser colocar a máscara?
Você vai se sufocar tentando salvar quem não quer ser salvo?
Isso não é amor.
Isso é autoabandono.
A gente precisa parar de romantizar o desgaste, o sacrifício constante, a exaustão emocional.
Não é bonito se perder para manter alguém.
Amar também é ter limite.
Amar também é dizer não.
Amar também é escolher a si mesmo, sem culpa.
Porque quando você está bem, inteiro, consciente…
aí sim você consegue oferecer algo real para o outro.
Mas quando você se abandona…
você não salva ninguém.
Você só cria mais um ferido na história.
Encerrar ciclos não é fracasso.
É evolução.
Não é sobre endurecer o coração.
É sobre afinar a alma.
É sobre aprender a reconhecer onde você floresce…
e onde você apenas sobrevive.
✨ Reflexão final:
Nem todo mundo merece acesso à sua essência.
E tudo bem.
Crescer também é aprender a escolher melhor quem entra…
e, principalmente, quem não fica.
E mais do que isso:
você não é responsável por salvar quem não quer se curar…
mas é totalmente responsável por não se abandonar no processo.
